As contradições do ministro Moraes e suas mentiras quanto à sua relação com Vorcaro criaram um constrangimento público e colocaram o STF no centro da política em pleno ano eleitoral. São documentos, mensagens e até vídeos que mostram suas inconsistências, dificultando sua defesa e expondo sua conduta.
Há imagens de viagens no jatinho de Vorcaro mostrando o casal Moraes saindo da aeronave.
Após a divulgação do relatório da Polícia Federal, que evidenciou o envolvimento do ministro com Vorcaro por meio de trocas de mensagens — o que dificulta a defesa —, ficou claro como está difícil sustentar a versão de que Moraes não tinha mentido. Afinal, até o contrato da esposa de Moraes teve a participação do ministro, em um acordo de 131 milhões.
O pior é que o vídeo só foi divulgado depois da sessão do STF na qual o ministro Dino fez uma defesa enfática de Moraes, confrontando Fachin no plenário.
Já Gilmar Mendes concentrou seus ataques no ministro Mendonça, relator do caso Master, afirmando que essa situação tem motivação eleitoral e chamando o colega de “Pixuleco” e “boneco eleitoral”. Com isso, o decano classificou a iniciativa como uma “proposta acanhada” e um “erro histórico”, tudo para defender o ministro Moraes.
A verdade é que os atos mais recentes da tropa de choque de Moraes no STF deixam transparecer um certo desespero diante da perspectiva de uma vitória de Flávio Bolsonaro sobre Lula.
Se a direita eleger a maioria no Senado e escolher o novo presidente da Casa, o impeachment de Moraes passa de mera hipótese a certeza para 2027.
Podemos observar que o impeachment de Moraes no Senado representaria uma reviravolta da direita para reparar a condenação de Bolsonaro e dos apoiadores presos no 8 de Janeiro de 2023.
O medo do STF é que um eventual impeachment de Moraes abra caminho para um efeito dominó, já que o assédio de Vorcaro no Judiciário pode arrastar outros ministros, dado que o novo formato do Senado teria munição de sobra para fundamentar crimes de responsabilidade.
Como o ministro Dino pediu vista para resguardar Moraes, a deliberação foi empurrada para depois das eleições, e a meta agora é desgastar a relatoria de André Mendonça.
Se essa narrativa funcionar, estará aberta uma verdadeira avenida para advogados arquitetarem a suspeição de Mendonça nas investigações do Master e do INSS. Afinal, se o ministro Mendonça for declarado parcial na supervisão dos inquéritos, anulam-se todas as provas colhidas pela Polícia Federal sob sua autorização.
Na realidade, essa receita é a mesma usada contra Sergio Moro e a lava jato. Esta briga em torno de Moraes visa livrar políticos e, principalmente, magistrados do STF.
Salvar Moraes é apenas o primeiro passo.
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