O senador Flavio Bolsonaro candidato do PL a presidência da República foi muito feliz na escolha do Alfredo Gaspar para ser seu vice e foi boa por motivos que se enumeram e se conferem. Primeiro, a biografia serve ao cargo, vinte e quatro anos de Ministério Público e a Secretaria de Segurança de um estado significam um homem treinado em duas coisas que faltam a Brasília, investigar crime e gerir polícia, e o Brasil que elegeu segurança pública como prioridade número um não precisa de vice decorativo, precisa de vice que entenda do assunto na prática. Segundo, o símbolo é certeiro, o Gaspar relatou a CPMI do roubo do INSS, o assalto silencioso contra o aposentado, o crime mais covarde do catálogo nacional, e colocá-lo na chapa transforma a bandeira anticorrupção de slogan em contratação, porque uma coisa é prometer combate ao ladrão, outra é sentar ao lado o promotor que passou a vida processando ladrão. Terceiro, a escolha revela caráter de quem escolheu, esperava-se cálculo de planilha, a mulher para reduzir rejeição, o nome de centrão para agradar palácio, e o Flávio preferiu substância a marketing, aceitando ao lado um homem de carreira independente, acostumado a dizer não a poderoso, que é exatamente o tipo de par que os pequenos evitam e os que pretendem governar procuram. E quarto, o contraste com a concorrência virou aritmética, enquanto uma chapa contrata fiscal com ficha de promotor, a outra exibe um vice cuja contribuição mais recente foi entregar espadim de cerimônia ao próprio companheiro, de um lado quem abre planilha alheia por ofício, do outro quem condecora o chefe por liturgia, e o eleitor confere a diferença em cinco minutos. Vice é o cargo que conta o que o candidato pensa do próprio governo, quem escolhe aplaudidor planeja culto, quem escolhe fiscal planeja gestão, e por essa régua, que é a única que importa, a chapa do Flávio acaba de ganhar espinha, e a eleição, nível.
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