Olavo e a Direita Brasileira

Se Olavo estivesse vivo hoje, não gastaria um minuto com eufemismo: diria, com a didática cortante de sempre, que essa turma não tem ideia tem apito de adestramento. Não pensa, reage. Não formula, repete. Não enfrenta inimigo, caça aliado como se fosse troféu, com uma fúria autodestrutiva que a esquerda, em décadas de articulação, jamais conseguiu fabricar sozinha.
Apontaria, sem qualquer hesitação, que a direita brasileira não foi derrotada , foi sabotada, implodida por dentro por gente que não lê, não estuda, não reflete. Gente que vive de print, mastiga slogan e cospe como se fosse argumento, e ainda tem a desfaçatez de invocar Olavo enquanto faz exatamente o oposto do que ele ensinou. É uma caricatura grotesca de militância: barulhenta, rasa e profundamente útil ao adversário.
E o que fariam com Olavo, se estivesse vivo dizendo isso sem filtro? O de sempre: linchamento moral em praça digital. Chamariam de ultrapassado, esclerosado, vendido, traidor, qualquer rótulo que dispense a obrigação de argumentar. Os mesmos que hoje colam seu nome como selo de pureza ideológica seriam os primeiros a puxar o gatilho da difamação. Inventariam narrativas, montariam dossiês, soltariam a matilha com a mesma covardia com que atacam qualquer um que ousa sair do cercadinho mental.
Ele diria, sem rodeio, que o problema nunca foi só o Lula, é a direita que se rende, que se sabota, que entrega o jogo todos os dias. Uma direita que esfaqueia aliado, passa pano pra quem sempre combateu seus valores, transforma oportunismo em “estratégia” e posa de iluminada em foto de aperto de mão. Um teatro patético, sustentado por vaidade, ignorância e medo de pensar.
E encerraria como sempre fazia: com desprezo absoluto pela estupidez organizada. “Ignora, meu filho.” Porque não se debate com quem rejeita a realidade — se afasta. A verdade, incômoda e nua, é simples: metade dessa matilha é munição desperdiçada; a outra metade já foi entregue de bandeja ao inimigo.
Por isso o linchariam sem pensar duas vezes. Porque Olavo nunca foi senha de tribo — foi espelho. E não há nada mais insuportável do que um espelho que revela, sem anestesia, a decadência que eles mesmos ajudaram a construir.

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